Recovery e saúde mental: uma revisão da literatura latinoamericana
Recovery and mental health: a review of the Latin American literature

Contenido principal del artículo

Autores/as

Walter Ferreira de Oliveira https://orcid.org/0000-0002-1808-0681

Aquino Paulo Renato Pinto de https://orcid.org/0000-0002-1552-7724

Ana Cidade https://orcid.org/0000-0003-0487-1324

Sara Letícia Bessa

Eduarda Bess https://orcid.org/0000-0001-6340-3817

Resumen

A abordagem Recovery emergiu nos anos 1970 nos Estados Unidos a partir dos movimentos em defesa dos direitos dos usuários dos serviços de saúde mental, ex-pacientes ou sobreviventes da psiquiatria. A partir da década de 2000 recovery vem orientando serviços de saúde mental em diversos países e muitos acreditam que possa contribuir com os processos de reforma do modelo de atenção em saúde mental em todo o mundo. No campo acadêmico, um número de publicações vem analisando as formas diversas de aplicação da abordagem em níveis nacionais e internacional. O objetivo desta revisão integrativa, realizada em 2019, foi analisar como a abordagem recovery vem sendo tratada na literatura científica na América Latina. A análise gerou categorias temáticas desvelando os principais assuntos abordados nestas publicações, entre eles discussões sobre terminologia, conceito de recovery, práticas, políticas e serviços orientados por recovery e possibilidades da incorporação da abordagem no contexto da Reforma Psiquiátrica Brasileira que, apesar dos obstáculos, ainda pode ser considerada como orientadora da Política Nacional de Saúde Mental no Brasil. A revisão aponta que o número de publicações sobre recovery na América Latina é escasso, comparado com o número de publicações nos Estados Unidos, Canadá, Hong Kong, Europa e Oceania, e são oriundas principalmente do Brasil. Percebe-se, ainda, que os autores brasileiros, em geral, entendem que recovery pode representar uma importante contribuição ao avanço da Reforma Psiquiátrica Brasileira e alguns defendem a necessidade de cautela sobre a incorporação da abordagem sem uma devida adaptação ao contexto social, cultural e econômico local. Também foi apontado que recovery tem sido aplicado em outros contextos sociais. 

Detalles del artículo

Citas

Amarante, P.D.C & Oliveira, W.F. (2004) A inclusão da saúde mental no SUS: pequena análise cronológica do movimento da reforma psiquiátrica e perspectivas de integração. Dynamis Revista Tecno-Científica, 12(47): 5-21. Blumenau: Edifurb. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/4063/406341765011.pdf

Anthony, W. A. (1993) Recovery from mental illness: The guidingvisionofthe mental healthservice system in the 1990s. PsychosocialRehabilitation Journal;16(4), 11– 23.Disponível em: https://doi.org/10.1037/h0095655

Baccari, I.O.P., Campos, R.T.O & Stefanello, S.(2015) Recovery: revisão sistemática de um conceito - Ciência & Saúde Coletiva, 20(1), 125-36. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413- 81232015000100125&script=sci_abstract&tlng=pt

Bezerra Jr, B. (2007) Desafios da reforma psiquiátrica no Brasil. Physis: Revista de Saúde Coletiva, 17(2), 243-50. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/physis/v17n2/v17n2a02.pdf

Broome, M.E. (2000) Integrative literature reviews for the development of concepts. In: Rodgers BL, Knafl KA, eds. Concept development in nursing: foundations, techniques and applications. Philadelphia (USA): W.B Saunders, p.231-50. Disponvível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080- 62342014000200335

Cooper, H. M. (1982). Scientific Guidelines for conducting integrative research reviews. Review of Educational Research, 52(2), 291-302. Disponível em: http://dx.doi.org/10.3102/00346543052002291

Correia, P. R., & Torrenté, M. de O. N. de. (2016). Efeitos terapêuticos da produção artística para a reabilitação psicossocial de pessoas com transtornos mentais: uma revisão sistemática da literatura. Cadernos Saúde Coletiva, 24(4), 487–495. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414- 462X2016000400487&script=sci_abstract&tlng=pt

Costa, M.N. (2017) Recovery como estratégia para avançar a Reforma Psiquiátrica no Brasil. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21); 1-16. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69532

Costa, E.S. & Noal, M.H.O. (2017) O Papel do Projeto Comunidade de Fala no empoderamento e recovery de usuários dos serviços de saúde mental. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21): 199-211. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69545

Dahl, C.M.; Souza, F.M.; Cavalcanti, M.T. (2017) Suporte interpares no contexto de uma pesquisa clínica: dificuldades, facilitadores e experiências significativas no processo de trabalho. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21): 179-198. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69544

Davidson, L.; Bellamy, C.; Guy, K & Miller, R. (2012). Peer support among persons with severe mental illnesses: a review of evidence and experience. World Psychiatry, 11(2), 123-28. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22654945/

Davidson, L.; O’Connell, M.J.; Tondora, J.; Lawless, M & Evans, A. C. (2005) Recovery in serious mental illness: A new wine or just a new bottle? Professional Psychology: Research and Practice, 36(5), 480. Disponível em: https://doi.org/10.1037/0735-7028.36.5.480

Davidson, L.&Rowe, D. (2007) Recovery from versus recovery in serious mental illness: One strategy for lessening confusion plaguing recovery. Journal of Mental Health, 16(4), 459-470. Disponível em: https://doi.org/10.1080/09638230701482394

Davidson, L; Strauss, J. S. (1992) Sense of self in recovery from severe mental illness. British Journal of Medical Psychology, 65(2), 131-45. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1633118/

Dolson, M. (2005) The role of dialogue, otherness and the construction of Insight in psychosis: toward a socio-dialogic model. Journal of Phenomenological Psychology, 36(1): 75-112. Disponível em: DOI: https://doi.org/10.1163/1569162054390289

Evans, D.; Pearson, A. (2001) Systematic reviews: gatekeepers of nursing knowledge. Journal of Clinical Nursing, 10: 593–599.

Farkas, M., Gagne, C., Anthony, W., &Chamberlin, J. (2005). A implementação de programas orientados para o recovery: domínios cruciais. In: ORNELAS, J. et al. Participação e empowerment das pessoas com doença mental e seus familiares. Lisboa: AEIPS. pp.19-44. Disponível em: http://www.aeips.pt/o-que-fazemos/.

Grigolo, T.M.; Alvim, S.; Chassot, C.S.& Silva, V.V.S. (2017) Plano de Ação Para Bem-Estar e Recovery: Experimentando o "WRAP" no Brasil. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21): 300-320. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69552

Harding, C.M; Brooks, G.W; Ashikaga T; Strauss J.S &Breier A. (1987) The Vermont longitudinal study of persons with severe mental illness I: Methodology study sample and overall status 32 years later. Am J ofPsychiatry, 144: 6. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3591991/

Hogan, MF. (2003) The President's New Freedom Commission on Mental Health: Transforming Mental Health Care. Cap. UL Rev. 54: 1467-1474. Disponível em: https://doi.org/10.1176/appi.ps.54.11.1467

Jackson, G..(1980) Methods for integrative reviews. Review of Educational Research, 50, 438-460.

Jorge-Monteiro, F. & Matias, J. (2007). Atitudes face ao recovery na doença mental em utilizadores e profissionais de uma organização comunitária: Uma ajuda na planificação de intervenções efectivas? Análise Psicológica, 25(1), 111-125. Disponível em:

http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870- 82312007000100009&lng=pt&tlng=pt.

Kirmayer, L. J., & Corin, E. (1998). Inside knowledge: Cultural constructions of insight in psychosis. In: X. F. Amador & A. S. David (Eds.), Insight and psychosis (p. 193–220). Oxford University Press. Disponível em https://psycnet.apa.org/record/1998-07370-010

Leff, J., Sartorius, N; Jablensky, A, Korten, A & Ernberg, G. (1992) The International Pilot Study of Schizophrenia: five-year follow-up findings. Psychological medicine, 22(1): 131-45. Disponível em:https://doi.org/10.1017/S0033291700032797

Lopes, TS., Dahl, CM., Serpa Jr, OD; Leal, EM; Campos, RTO & Diaz, AG. (2012) O processo de restabelecimento na perspectiva de pessoas com diagnóstico de transtornos do espectro esquizofrênico e de psiquiatras na rede pública de atenção psicossocial. Saúde e Sociedade, 21(3), 558–71. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104- 12902012000300004&script=sci_abstract&tlng=pt

Lysaker, P. et al. (2002) Insight and Personal Narratives of Illness in Schizophrenia. Psychiatry: Interpersonal and Biological Processes, 65(3): 197-206. Disponível em: https://doi.org/10.1521/psyc.65.3.197.20174

Martinhago, F & Oliveira, WF. (2015). (Des)institucionalização: a percepção dos profissionais dos Centros de Atenção Psicossocial. Saúde e Sociedade, 24(4): 1272-84. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104- 12902015000401273&script=sci_arttext&tlng=pt

Mezzina, R. (2014) Subjectivity and institutions: from Franco Basaglia to recovery. Disponível em: http://www.imhcn.org/wp-content/uploads/2015/02/From- Basaglia-torecovery-paper-2.pdf

Nascimento, N.S.; Nogueira, A. & Lira, L.M. et al.(2017) Grupo de trabalho recovery: um olhar para si. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21): p.271-81. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69550

Oliveira, W. F. (2017) Recovery: O desvelar da práxis e a construção de propostas para aplicação no contexto da Reforma Psiquiátrica no Brasil. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21):, 321-30. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69553

Oliveira, WF; Padilha, CS. & Oliveira, CM. (2011). Um breve histórico do movimento pela reforma psiquiátrica no Brasil contextualizando o conceito de desinstitucionalização. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, 35(91):, 587- 96. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/4063/406341765011.pdf

Onocko-Campos, R.T., Passos, E., Palombini, A.L.; Santos, D.V.D., Stefannelo, S., Gonçalves, L.L.M., Maggi, P.M.& Borges, L.R.A. (2013). Gestão autônoma da medicação: uma intervenção analisadora de serviços em saúde mental. Ciência & Saúde Coletiva, 18:2889-98. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 81232013001000013

Pereira, M.B. & Leal, E.M. (2017). Insight na perspectiva de pessoas com diagnóstico de esquizofrenia em tratamento em centros de atenção psicossocial. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21): 229-49. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69548

Ricci, E.C. (2017). Entre serviços e experiências de adoecimento: narrativas e possibilidades de recovery em saúde mental. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21): 212-28. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69547

Rowe, M &Pelletier, JF (2012). Citizenship: a response tomarginalizationofpeoplewith mental illnesses, J. of Forensic Psychology Practice, 12(4): 366-81. Disponível em: https://doi.org/10.1080/15228932.2012.697423

Rowe, M; Benedic, P; Sells, D; Dinzeo, T; Garvin, C; Schwab, L; Baranoski, M; Girard, V & Bellamy, C. (2009). Citizenship, community, and recovery: a group- andpeer-basedintervention for persons with co-occurring disorder sand criminal justice histories. J. of Groups in Addiction & Recovery, 4(4): 224-44. Disponível em: https://doi.org/10.1080/15560350903340874

SAMHSA (2006) Substance Abuse and Mental Health Services Administration. National consensus statementon mental health recovery. Disponível em www.samhsa.govAcessoem: 25/10/2020.

Saravanan, B. et al. (2004) Culture and Insight revisited. British Journal of Psychiatry, 184(2): 107-9. Disponível em: https://doi.org/10.1192/bjp.184.2.107

Serpa, JR., O.D.; Leal, E.M. & Delgado, P.G.G. et al. (2017). Relatos de experiências em Recovery: usuários como tutores, familiares como cuidadores/pesquisadores e efeitos destas práticas em docentes e pesquisadores em saúde mental. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21): 250-70. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69549

Silveira, A.R; Almeida, A.P.S. & Souza, C.L. et al. (2017). Recovery e experiência brasileira na atenção psicossocial: diálogos e aproximações. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21): 17-30. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69533

Surgeon General. U.S. (1999). Mental health: A report o fthe surgeon general. Rockville, MD: US Department of Health and Human Services. Substance Abuse and Mental Health Services Administration, Center for Mental Health Services, NationalInstitutesof Health, NationalInstituteof Mental Health.

Tranulis, C.; Corin, E.; Kirmayer, L. (2008). Insight and Psychosis: Comparing the perspectives of patient, entourage and clinician. International Journal of Social Psychiatry, 54(3): 225-41. Disponível em: https://doi.org/10.1177/0020764008088860

Vasconcelos, E.M. (2017). As abordagens anglo-saxônicas de empoderamento e recovery (recuperação, restabelecimento) em saúde mental I: uma apresentação histórica conceitual para o leitor brasileiro. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21): 31-47. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69535

Vasconcelos, E.M. (2017). As Abordagens anglo-saxônicas de empoderamento e recovery (recuperação, restabelecimento) em saúde mental II: uma avaliação crítica para uma apropriação criteriosa no cenário brasileiro. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21): 48-65. Disponível em:https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69535

Venturini, E. & Goulart, M.S.B. (2017). Recovery: ambiguidades e confrontações. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, Florianópolis, 9(21): 289-99. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69551

Weingarten, R. & Restrepo-Toro, M. E. (2012). Narrativas de recuperação: ‘veja onde cheguei’. Cad. Saúde Coletiva [online], 20(4): 448-52. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/cadsc/v20n4/v20n4a07.pdf

World Health Organization (2013). Mental Health Action Plan 2013-2020. Genebra, Suiça: WHO Documen tProduction Services. https://www.who.int/publications/i/item/9789241506021

Licencia

Creative Commons License
Esta obra está bajo licencia internacional Creative Commons Reconocimiento-NoComercial-CompartirIgual 4.0.

Los autores que publican en la Revista Iberoamericana de Psicología están de acuerdo con los siguientes términos:

  1. El Autor o los autores, desde que presenta(n) a consideración de esta revista su manuscrito, esta(n) informado(s) acerca de la política de Acceso Abierto, como condición indisociable de publicación, lo que significa que ni él(los), ni la revista han de percibir ingreso alguno por concepto de la lectura de resúmenes o del artículo completo, tampoco por su uso o explotación para generar nuevo conocimiento o para desarrollar aprendizajes alrededor de la obra.
  2. Los autores conservan los derechos de autor y garantizan a la revista el derecho de ser la primera publicación del trabajo, al igual que licenciado bajo una Creative Commons Atribución-NoComercial-CompartirIgual 4.0 Internacionalque permite que permite a terceros utilizar lo publicado, siempre que se haga mención a la autoría del trabajo y la primera publicación en esta revista, no se utilice con fines comerciales y que las obras que se deriven del artículo se compartan en iguales condiciones. 
  1. Los conceptos y opiniones expresados en los artículos son responsabilidad exclusiva de los autores y no comprometen a la Revista Iberoamericana de Psicología ni a la Corporación Universitaria Iberoamericana. Los contenidos de esta revista se distribuyen bajo licencia de tipo Creative Commons Atribución 4.0 Internacional, la cual exige el debido reconocimiento de las obras y cuyos términos se encuentran en: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.es
  1. La Revista Iberoamericana de Psicología es una revista de acceso abierto, por lo que tanto el proceso editorial como los contenidos publicados están disponibles para todos los usuarios sin cargo alguno: la Revista no realiza cobro alguno por acceso, lectura o descarga de contenidos ni por procesos o actividades de la editorial con fines de publicación.

 

Descargas

La descarga de datos todavía no está disponible.